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imagem de uma janela aberta de um apartamento

A cada ano que passa, a sensação de temperaturas mais altas aumenta, elevando a procura por aparelhos de ar-condicionado para refrigerar o ambiente. Porém, a utilização de sistemas ativos de refrigeração eleva o consumo da edificação. Para diminuir o custo e criar empreendimentos mais sustentáveis, é necessário adotar estratégias que garantam um conforto térmico de maneira passiva.

A arquitetura bioclimática é a área da construção civil que estuda essas estratégias, procurando proporcionar maior conforto ao usuário. Dentre elas, a que ganha maior destaque é a ventilação natural, uma vez que apresenta diversos benefícios além do conforto térmico.

Adotar métodos de ventilação natural nem sempre é fácil, pois, além de um bom projeto, é importante que a execução seja bem-feita e o ambiente seja utilizado de maneira correta. Normalmente, o comportamento do usuário tem uma influência muito elevada no desempenho geral da edificação, podendo prejudicar as estratégias bioclimática adotadas.

Quer saber mais sobre ventilação natural e como potencializar seus efeitos nas construções? Leia este artigo e confira!

Quais são as diferenças entre os métodos passivos e ativos?

Entende-se por métodos ativos todas as estratégias de ventilação que necessitam de equipamentos, como ventiladores de teto ou de piso, ar-condicionados e exaustores, entre outros. Atingir o conforto térmico utilizando esses sistemas consome maior energia da edificação. Além disso, os ventiladores têm motores que dissipam calor para o ambiente, aumentando a temperatura interna.

Outro ponto importante na ventilação ativa é a qualidade do ar. Quando utilizamos equipamentos de ar-condicionado para climatizar o cômodo, estamos diminuindo a entrada do ar externo, o que aumenta a concentração de gás carbônico. Além disso, equipamentos sem a devida manutenção acabam dissipando a poeira acumulada nos filtros para o interior da edificação, poluindo o ar do ambiente.

Já os sistemas passivos são aqueles que não utilizam equipamentos elétricos para fazer a ventilação, sendo a ventilação natural o principal método. Suas vantagens são atingir o conforto térmico sem utilizar energia elétrica e fazer a renovação do ar do ambiente.

Vale ressaltar que uma edificação pode funcionar mesclando as duas estratégias, em um sistema híbrido de ventilação.

Como funciona a ventilação natural?

Projetar e executar edificações que trabalhem bem somente com ventilação natural é um desafio para qualquer arquiteto e engenheiro. Para o bom funcionamento das estratégias, é importante levar em consideração alguns itens, como a posição das portas e janelas, altura dos ambientes, tipos de cobertura, sombreamento correto das fachadas, entre outros.

Portanto, não basta simplesmente colocar as janelas com as dimensões mínimas nos cantos opostos do ambiente — é preciso pensar na edificação como um todo. Para compreender o seu funcionamento, é importante lembrar de alguns conceitos físicos:

  • o deslocamento de massa de ar ocorre de um ambiente com maior pressão para outro com menor pressão;
  • o ar quente é mais leve, tendendo a subir e atingir maiores alturas.

Por exemplo, se a pressão na face externa da janela estiver maior do que na face interna, o ar se deslocará de fora para dentro da edificação. Já as massas com temperaturas mais elevadas tendem a se deslocar para os tetos.

Compreendendo esses conceitos, podemos abordar os diferentes tipos de ventilação natural.

Ventilação Cruzada

A ventilação cruzada é um dos métodos mais conhecidos de ventilação natural. Ela funciona quando existem janelas ou portas em orientações opostas, criando uma passagem para o ar e deixando o ambiente mais agradável. Para que ela seja efetiva, é importante posicionar e dimensionar as janelas e portas da maneira correta, para que o fluxo ocorra dos ambientes mais frescos para os ambientes mais quentes.

Efeito chaminé

O efeito chaminé, normalmente utilizado em edificações verticais — como os prédios —, ocorre quando o ar quente sobe e é retirado da construção pelo teto. Porém, é importante salientar que, para climas quentes e úmidos, esse efeito não possui uma grande funcionalidade, pois seria necessária uma enorme pressão interna para empurrar o ar quente para cima.

Ventilação induzida

A ventilação natural induzida é semelhante ao efeito chaminé. Contudo, ela é utilizada para edificações mais baixas — como casas —, mas que possuam pé direito elevado. O princípio físico é o mesmo do anterior, em que aberturas no teto da edificação permitem a retirada do ar quente do ambiente.

Como potencializar a ventilação natural?

Para potencializar os efeitos da ventilação natural, é importante que o projetista tenha em mente os conceitos citados acima, além de pensar nos materiais que podem ser utilizados para diminuir a temperatura interna, o que reduz a necessidade de refrigerar o ambiente.

Escolha coberturas adequadas

Um bom projeto bioclimático leva em consideração boas escolhas de coberturas, pois é importante trabalhar com sistemas que impeçam a entrada de calor na edificação. Utilizar sistemas como telhas termoacústica e telhados vegetados é um diferencial que pode garantir uma temperatura interna mais amena.

Examine a orientação solar

A orientação solar é um dos pontos mais importantes para potencializar a ventilação natural. Orientar corretamente o projeto evita o ganho de calor nos ambientes que têm janelas voltadas para as fachadas mais críticas. Assim, o projetista garante que elas funcionarão retirando o calor, e não acrescentando.

Considere a posição das janelas e portas

Para potencializar os sistemas passivos, é fundamental que o posicionamento das portas e janelas seja feito de maneira adequada, de preferência em lados opostos ou em paredes adjacentes. É importante lembrar das áreas mínimas das janelas para ventilação natural, que correspondem a 8% da área de piso.

Utilize brises e venezianas, sheds e lanternins

Os brises e venezianas funcionam como mecanismo de proteção da radiação solar. Eles auxiliam na ventilação natural, pois mantém a temperatura interna mais amena, evitando que o ambiente ganhe calor por meio da radiação solar.

Já os sheds são mecanismos voltados principalmente para aumentar a iluminação natural dos ambientes, mas é possível utilizá-los para potencializar o sistema de ventilação. Eles se caracterizam por telhados em forma de dentes de serra, e utilizam o conceito de ventilação natural induzida. O ar quente do ambiente sobe para a cobertura, onde os sheds abertos permitem a sua retirada.

Já os lanternins têm o mesmo princípio dos sheds. A diferença está no fato de que são aberturas laterais na cobertura, voltadas uma para a outra. Essa estratégia potencializa a ventilação, renovando o ar e aumentando a iluminação natural do ambiente.

Manter o conforto térmico é importante, tanto no ambiente de trabalho quanto nas residências. Projetar e executar edificações adotando estratégias bioclimáticas, como a ventilação natural, é fundamental quando desejamos melhorar a qualidade do ar e reduzir custos com energia.

Utilizar técnicas que potencializem a ventilação, cuidando com as posições das janelas e portas, escolhendo tipos de telhas e dotando boa orientação solar, ajuda a manter o ambiente mais agradável, melhorando a qualidade de vida.

Se você ficou com alguma dúvida sobre como a ventilação natural funciona, ou quer saber ainda mais sobre como potencializá-la, deixe seu comentário para que possamos lhe ajudar!

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